The Brazilian Daily Artist

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Saturday, September 27, 2014

Profissionais de visão...ou não.

Há uns poucos anos atrás, não especificarei a data e o local por uma questão ética, nem nomes, que fiquem a cargo de quem quiser, participei de uma coletiva realizada para exaltar a capacidade e a criatividade feminina, em comemoração ao dia internacional da mulher. Pois bem, realizado o meu trabalho, entregue para o dia da exposição â curadora de arte responsável, uma das minha obras, sem aviso prévio, foi escondida em um canto do local da exposição para que não fosse muito vista.
A razão da curadora: eu havia feito nada mais ou menos que o primeiro retrato da então eleita presidente da República, Dilma Rousseff, mas, segundo a organizadora, eu não deveria ou poderia expô-lo ao público,  porque os visitantes não concordariam, uma vez que a maioria dos visitantes teriam "visões políticas diferentes" e portanto "não seria de bom tom".
A curadora, que na época representava uma conhecida galeria de arte em São Paulo, não teve nenhuma visão histórica em relação à pintura dedicada ao tema, afinal, era ou não, para se ressaltar a capacidade feminina e sua criação, seja artística, profissional, pessoal. E além de confinar o meu trabalho a uma pequena parede virada contra a porta de entrada, após esta exposição ser encerrada, até a data de hoje, não devolveu a obra, porque nem sequer avisou de onde seria o local da devolução, já que, posteriormente, tomei o conhecimento de que a sua 'façanha' não poderia vir ao conhecimento a dona da galeria, pois era uma "produção independente".
Foi, na época, no local, comentado a boca miúda, a estupidez, a tolice da mulher, que não percebeu que com sua atitude arbitrária e néscia, ela faltava ao respeito com a figura da artista e com a da primeira mulher a conseguir e empossar um cargo de Presidência Governmental no país, onde até pouco tempo, uma mulher só lavava fraldas e cozinhava para maridos e fihos e, política, nem pensar! Era coisa de rebelde ou baderneira.
A alguns dias, conversando com um homem de negócios sobre os pontos favoráveis da gestão de Dilma Rousseff, comentei de meu trabalho, pois na ocasião, dois retratos haviam sido vistos em público, cada um em sua categoria, o meu e o do artista Romero Britto. Ao terminar o relato, ouvi e antes nem me ocorre tal pensamento, que fui parar nas mãos de uma amadora que nã havia se dado conta de que era uma peça histórica, algo de valor histórico para os tempos futuros. Diferentemente, teve sorte com o seu belo trabalho, o artista e colega Romero Britto que retratou e entregou o retrato à nossa Dama de Ferro brasileira.
Como havia sido contatada por outras artistas participantes, que estavam indignadas pois a tal organizadora não havia informado a data da devolução das obras,eu, resolvi ir ao loal, onde me informaram que ja ão haviam obras no local da exposição, pois haviam sido retiradas. E eu, nunca avisada.

Hoje, depois que meu quadro foi mostrado na internet, alguns anos depois da posse de Dilma Rousseff, e iminência de sua reeleição, recebo emails de pessoas interessadas nele, como lembrança histórica de um momento importante e único no Brasil. Algo que para os brasileiros sem cultura e história não tem nenhuma importância, mas que em outro país, com certeza, não teria jamais sido tratado desta forma.

Repito aqui, as palavras de meu antigo curador, Carlos Von Schmidt, meu incentivador, de que nem todo crítico de arte sabe o que faz e o que fala...muitos não têm nenhuma visão ou inteligência. Não pensam à frente.

Que o diga sábio, os Vincent Van Gogh e Camille Claudell, que anos e anos a fio depois, tiveram seus trabalhos valorizados e eleitos a categoria de mais caros do mundo.

Moral da estória: O amadorismo cauteriza qualquer forma de vida e se espalha malditamente, como uma radiação. Tristezas...



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