The Brazilian Daily Artist

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Sunday, November 20, 2011

A Menina e o Gafanhoto

                                                         A Menina e o Gafanhoto

No Japão do século 19, numa aldeia de plantio de arroz, uma menina vivia com a avó materna e três irmãs.
A menina era tranquila e gostava muito de cantar, por isto, nos afazeres da lida no plantio, vivia cantando baixinho, enquanto ajudava a sua avó. A menina era muito solitária, embora ela tivesse outras irmãs, porque as outras eram alvoroçadas e gostavam de brigar, razão pela qual a menina contendia com elas e se isolava sempre que possível. As outras quando a viam sozinha em algum lugar, logo tratavam de criar uma situação para tirar a paz da garotinha. A avó pelejava sempre com as outras, mas não adiantava...elas sempre arranjavam uma encrenca...
Um dia, numa tarde de calor, a menina cantava perto de um lagar onde as espigas de arroz já apareciam e numa palhoça úmida, estava sobre uma moita, um grande e verde gafanhoto. Era muito verde, brilhante e gordo, o que mostrava ele ser bem alimentado e a menina se encantou com ele. Devagarinho, ela foi se aproximando e sentou-se no chão ao lado da moita para observar o grande gafanhoto. E começou a conversar com ele.
Depois de algum tempo de conversa, a menina tirou uma caixinha redonda de papelão com alguns koi coloridos pintados à mão e retirando a tampa, tirou algumas balinhas, que pôs-se a saborear. O gafanhoto não ia embora, então, a menina continuou a cantar e conversar com o gafanhoto durante horas, até que o gafanhoto saiu da moita e pousou no seu dedão do pé e de lá não saiu, até que a avó começou a chamar ao longe, pois era a hora de regressar para casa.
A menina tentou se levantar mas o gafanhoto se agarrou no seu avental. A menina, ao ver que ele não queria ir embora, pensou que poderia levar o amigo para casa. Rapidamente procurou um graveto no chão e fez alguns buraquinhos na caixa de balas para que passassem a luz e o ar. Colocou o gafanhoto lá dentro com muito carinho e fechou a tampa. Abriu o bolso do avental, acomodou a caixa com cuidado e lá se foi, correndo até encontrar a avó, que a chamava, gritando ao longe.
Passadas algumas horas depois que havia chegado em casa, as irmãs começaram a notar aquela caixinha com os koi, onde o gafanhoto estava no centro e que de lá ele não saía. A menina conversava sob a luz da lamparina com o bicho, que parecia entender tudo o que ela falava.
As irmãs, sempre querendo intriga e confusão, começaram a ter inveja daquela amizade curiosa e planejaram sumir com o gafanhoto ou matá-lo.
Algum tempo depois, a avó ordenou que se recolhessem. E lá se foi o gafanhoto na caixa, que, mesmo destampada, o que não impedia que ele fugisse, ele não deixava por nada. Parecia dizer que estava feliz por estar ali, mesmo não sendo o seu habitat natural...
Assim que a menina dormiu em sua caminha compartilhada com as outras, a irmã do meio foi até a caixinha para se apoderar do gafanhoto. Quando chegou perto...zás! O gafanhoto voou e sumiu. A pestinha ainda o procurou, mas, em vão...o animal tinha desaparecido...
Com a balbúrdia dos cochichos das outras irmãs cúmplices da maldade, a menina acordou e procurou imediatamente o gafanhoto e viu que ele não estava mais. Ela chorou sentidamente, culpando com justiça as suas irmãs pelo fato de ter perdido o seu amigo. Achou que elas tinham conseguido matar o pobre animal verdinho. E chorou tanto, debaixo de suas cobertas que ficou com febre e pela manhã, a avó não deixou que ela fosse à lida, castigando as outras três, dizendo que teriam de fazer o seu trabalho e o da irmã que ficou contristada e adoecida...
As outras seguiram para a lida, e a menina ficou só, debaixo das cobertas inconsolável. Cerca de uma hora depois, cansada de chorar e de olhar para a caixinha vazia, a menina adormeceu...
O sol já a pino, fez com que a menina despertasse por causa da algazarra das cigarras no campo à volta da habitação.
Assim que abriu seus olhos, a primeira coisa que viu foi a caixa. E lá, bem no centro dela, estava o seu amigo gafanhoto. Ele havia voltado para a caixa sozinho e lá ficou, provavelmente esperando pelas estórias, resmungos e cantigas da menina.
Uma curiosa amizade onde a lealdade se fez conhecer e desde então, nada e nem as encrenqueiras das irmãs puderam extinguir.





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