The Brazilian Daily Artist

Friday, January 02, 2009

TARDE DE CHUVA _ LUISA ARTESA

TARDE DE LLUVIA _ OIL ON CANVAS 60x80



CAMINHOS INDELEVEIS _ CAP 7




CAMINHOS INDELÉVEIS" _ CAP.7

"REVELAÇÕES"

A viagem transcorria em total silêncio. Apenas o ronco do motor, e sons provenientes das aves que emitiam sons guturais ao sobrevoar os caminhos à frente. Eu não estava querendo falar, isto daria uma intimidade que eu estava tentando evitar a todo custo.
Pessoas em minha vida haviam sido a razão pela qual tinha deixado meu conforto para trás, e eu já havia aprendido a desenvolver uma proteção natural contra elas.
Um contato ou uma amizade mais estreita em um lugar como aquele, onde só vemos trabalho árduo feito muitas vezes debaixo de estruturações precárias, doença, sofrimento, desunião, racismo, fome, e outras coisas desagradáveis, entre um homem e uma mulher que teriam de passar obrigatóriamente a maior parte de seu tempo juntos, poderia correr o risco de uma nova vertente de relacionamento.
O relacionamento que eu não buscava, do qual eu desejava distância...
_ Por quê não fala? Vai ficar a viagem inteira muda? Ainda temos muita estrada.
_ Estou admirando a paisagem...é mais ou menos o que víamos nos filmes...(risos) Até zebras já vi passar! Só me faltam os rinocerontes...

_Shhh!! _ fez ele. _ Está louca? Eles escutam...e aí aparecem e teremos de parar de novo! Assim só chegaremos no dia seguinte! _ brincou.

_ Ah! Está bem..._entrei na brincadeira. _ Eu vou tomar mais cuidado...vai que não os rinocerontes, mas os leões me escutam...

_Agora enlouqueceu de vez! _ e começou a rir, batendo as mãos no volante.
Voltamos a ficar quietos de repente...os minutos que ficamos em silêncio pareceu uma eternidade quando ele os quebrou com a seguinte pergunta:

_ O que deixou para trás? Família, namorado, noivo, marido...?
Eu preferia não entrar neste assunto, mas sei que seria inevitável um dia...e ali começavam ou terminavam todas as minhas precauções.
_Acho que o que deixei para trás não era muito importante...se fosse, eu não teria deixado, não acha?Sem tirar os olhos da estrada, fez um meneio com a cabeça e disparou: _Penso exatamente o contrário. O que deixou para trás, deixou porque era importante, e precisava de ajustes, mas, como não dependia de você mesma ajustar, preferiu abandonar.


(continua)

CAMINHOS INDELEVEIS _ CAP 6

"Agradando a gregos e desagradando a troianos"


Corremos rapidamente em direção aos gritos.

Era normal estarmos alertas nestes casos, já que vivíamos num país com conflitos políticos e sociais, e turbas e ataques eram previsíveis. Ia imaginando o que poderia fazer a criança gritar daquela forma ...a invasão de um animal selvagem (era possível), ou a invasão de estranhos, uma queda da cama, dor, mas os gritos me pareciam de terror. Medo era o que se traduzia naqueles gritos. Assim que chegamos, para minha estranheza, havia apenas um mulher parada em frente a cama da menina que gritava aterrorizada, como se visse um cão raivoso.
Vi que o Dr. Abel e Zeeka, que ainda estava no pavilhão, não se espantavam com a cena.Passei pela mulher que inerte continuava frente a cama, e tentei acalmar Mahrula.
Nisto, Zeeka com jeito, pegou a mulher pelo antebraço, e foi levando-a até a porta lateral de saída. A mulher que parecia em transe, apática, continuava olhando para a garota...e assim ela fez até ultrapassar os limites da porta.Nada entendi. Mahrula se agarrava a mim como se eu fosse um tronco na correnteza. Pedi ao médico um esclarecimento sobre o ocorrido.
O Dr. Abel então começou a contar: _ É uma história desagradável que ainda a deixa em pânico. Este ferimento ulcerado na perna de Mahrula foi devido a um banho de água fervendo, e foi aquela mulher quem a feriu...e aquela mulher é sua avó. Vou te contar os pormenores...não julgue precipitadamente.
Na verdade são duas infelizes.Não era a intenção da avó feri-la, mas como estava alterada, devido a alcoolismo na ocasião em que perdeu o marido, ao atirar um recipiente com água fervendo numa parede, não viu que a garota estava na direção do golpe. Foi uma queimadura que acabou em ulceração porque ela não soube tratar, e quando nos procurou já estava em estado de inflamação crítico.
Maruhla chorou tanto que cansou...enfiou o dedo na boca e agarrada a mim dormiu...acomodei a pequena na cama, e a cobri com o lençol.Fui até a soleira da porta para ver se Zeeka ainda estava com a mulher. Bem distante, avistei Zeeka levando a mulher, talvez até a sua casa.

Senti uma mão encostar no meio das minhas costas. Era o Dr. Abel._Desculpe _ disse ele desconcertado. _ É que aproveitando que tudo acalmou, tenho que fazer uma visita ao povoado. Gostaria que fosse. Quem costuma me acompanhar é Valma, mas eu confesso-lhe em segredo: não me sinto bem na companhia dela. Prefiro que você vá comigo. Tudo bem?
_ Sim, claro...e nem precisa me dizer porque não se sente bem perto dela. Eu imagino. Ele me olhou com uma expressão admirada, não pelo que disse, mas porque imaginava talvez o que havia surgido de meu contato com a "loura", como ela mesma se intitulava.
Quando o outro residente, Dr. Afrânio chegou, então o Dr. Abel foi para fora a fim de preparar o jipe com o material que iria utilizar e com um suprimento de remédios e de mantimentos.Fiquei na soleira observando-o. Eu não tinha feito nenhuma amizade ali com outro voluntário até então.
Com Valma não havia uma empatia. Era uma mulher diferente de mim. Seus ares não inspiravam confiança. Eu fazia de tudo para não encontrá-la. Na verdade, no vôo de chegada à Luena, onde aterrisamos, ela já me mostrava ser o tipo de pessoa que não gosto de ter por perto, quando veio junto aos nossos contatos receptores.
Pedi um tempo para ir até meu quarto buscar minha mochila. Estava em uma localidade onde eu apendi que deveria ser uma pessoa precavida. Coloquei alguma comida, embrulhando uma broa de milho que estava em meu console, e peguei umas barras de chocolate que ainda tinha em minha gaveta. Uma camiseta, repelente de mosquitos, minha faca de mergulho, e um estojinho de primeiros-socorros.
Imediatamente pensei: _ Pra quê levarei este estojo? Ora, estou indo viajar até o outro povoado com um médico a serviço! _ e voltei a colocá-lo na gaveta.Fui ao lavabo e lavei o rosto. Ouvi batidas na porta. Imaginei que fosse Zeeka ou até mesmo o Dr. Abel...mas não, não era.

Tão logo abri a porta e quem estava na soleira era Valma._ E aí, princesinha..._ odiava este jeito sarcástico dela._ Vai passear? Onde pensa que vai a esta hora assim toda equipada?
Não respondi e fui fechando a porta atrás de mim. Nunca ficava de costas para ela. Valma era uma pessoa esquisita. O ar que ela inspirava era o de uma certeira obsessão em prejudicar ou aborrecer os outros.Nunca havia reparado se, pelo menos como enfermeira era competente. Salvaria-se pelo menos isto. Mas o que eu tinha a certeza e o que tanto me incomodava era que eu tinha certeza que ela estava no meu pé para puxar o meu tapete. Ou pelo menos para tentar.

_Estou com pressa. O Dr.Abel me espera.Notei que quando disse que o médico me aguardava, o semblante dela mudou...
_Como é?! _Temos uma viagem a fazer até o povoado para atendimento.
_Você? Já estive aqui antes e é a terceira vez que venho para esta operação, e sempre fui convocada a ir...para onde é? Luena?
_Não sei ainda...é melhor que pergunte ao próprio médico. _ respondi.
_Mas é exatamente isto que vou fazer! _disse ela irada..._não vejo razão alguma para mudar isto agora. Eu sempre fui. Não vejo por que razão você tenha que ir em meu lugar...E saiu disparando pelo caminho afora. Nem me importei...já sabia pelo pouco que conheci do Dr.Abel, que ela perderia tempo. Ele não mudaria o que anteriormente havia sido tratado comigo. Ainda a alcancei quando a vi caminhando apressada para o jipe onde o Dr. Abel estava, já sentado, me aguardando. Valma pôs as mãos na cintura em posição desafiadora e quando percebeu que eu estava atrás, disse ao médico:
_Vou buscar minhas coisas, estou liberada. Posso ir, não há necessidade de tirá-la daqui. É bom que ela fique para aprender mais, tem menos experiência do que eu em voluntariado.
O Dr.Abel olhou firme para ela e disparou:_Exatamente por isto quero levá-la. Ou melhor, vou levá-la. Já foi feita a solicitação e já estão sabendo que ela foi quem se habilitou ao atendimento como ajudante. Não tenho tem,po e nem vou alterar algo que já foi resolvido na direção médica e também com os superiores militares. Tchau, Valma. Temos que nos adiantar para voltarmos antes que escureça. _ e dito isto, abriu a porta do carona e mandou-me subir no jipe.
Sem olhar para ela que bufafa de raiva, sentei. Coloquei meus óculos de sol, e olhei por cima das lentes para ele, suplicando em silêncio que ele arrancasse dali de imediato. Ele entendeu o meu "código".
Deu partida no jipe e fomos, deixando Valma na poeira... Achei melhor não tocar no nome dela durante a viagem. Ele seguiu calado e eu não puxei assunto. De vez em quando percebia pela fresta do óculos ele me lançar um olhar de canto de olho. Mas ainda assim nada falei...Quase uma hora de viagem.
Lamentei não estar com máquina fotográfica...eu achava que era coisa de filmes ver zebras, búfalos e outros bichos ao longe quando cruzava-se nas planícies, mas não era...era perfeitamente possível se ver bichos selvagens, livres, galopando, correndo, ou voando naquela paisagem árida!Ele percebeu meu entusiasmo e notei que se divertia com isto.
Fiz-me de boba e continuei dando umas levantadinhas do banco para olhar melhor as cenas que se distanciavam a medida que o jipe se afastava.

Desenhos a Grafite e Carvão

'Rodrigo' /grafite A4/julho de 2010


'Camila' / grafite A4/ julho de 2010.



'Pamela' /grafite A4/ Julho de 2010



'Nick Vujicic'


Amy Winehouse _ carvão _ dec.2008.




Luciano _ carvão _ dec.2008.


Ricardo _ carvão _ nov.2008.