The Brazilian Daily Artist

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Wednesday, October 22, 2008

Luísa Artèsa na Off Bienal III



A noite da inauguração da Off Bienal III, foi emocionante! Cerca de 600 pessoas ou mais, compareceram a Galeria Jo Slaviero & Guedes para a noite da arte contemporânea.

Artistas internacionais e nacionais de primeira linha e consagrados, fizeram a grande emoção do público que teve uma variada gama de estilos e de talentos, tendo obras para todos os gostos e segmentos!

Uma noite espetacular, alegre, muito bem administrada pelos responsáveis pela galeria, pelo curador de arte Carlos Von Schmidt, sua assessora Sonia Skroski, e o artista Neno Ramos.
Nomes como Antonio Peticov, Guto Lacaz, Luiz Cavalli, Ju Corte Real e outros compareceram e prestigiaram a noite inesquecível!

Na foto acima, eu (Luísa Artèsa), e duas de minhas obras, expostas na Bienal.

Sunday, October 19, 2008

Burlington London 2009

Em exposição permanente: a tela "Springer" 60X80
Óleo sobre tela de outubro de 2008
Acervo atual da Burlington Gallery 2009.


Saturday, October 11, 2008

CAMINHOS INDELÉVEIS _ CAP.3



"Caminhos Indeléveis" _ Cap.3

"SOLUÇÃO RÁPIDA"


Zeeka estava lá do lado de fora ouvindo a música, com seu irmãozinho menor, um molequinho de seus seis, sete anos com olhões apreensivos e brilhantes no escuro...no seu mau português de sotaque acentuado, o menino me perguntou o nome da música.

Lembro que lhe disse e ainda tive de encontrar um exemplo de pássaro que se aproximasse a uma gaivota, enquanto Zeeka dava altas gargalhadas. _ O que fazem aqui a esta hora? _ perguntei.

Zeeka passou a mão pela cabeça do menino e disse: _ Todos os dias eu o levo para uma volta...assim ele cansa e dorme. Minha mãe está mais velha...não tem mais tanta paciência...vivemos eu, ela e mais três irmãos. Este é o temporão. Sorri e os convidei para entrar mas ele recusou. _ É tarde, moça 'bwana' tem que ir descansar. Amanhã nos falamos...

Concordei, e disse-lhe que desejava que ele me mostrasse onde eu poderia depositar cartas para que fossem despachadas por avião. E nos acordamos em frente à enfermaria. Era hora de entrar e trancar a minha porta. E muito bem trancada, pois ali à noite, era estranho...a noite parecia ter milhares de olhinhos brilhando na escuridão....
O despertador acionou, e não era tudo o que eu queria ouvir...estava tão cansada e com o corpo doído da cama. Levariam dias até que eu acostumasse, mas isto era o de menos. Desci da cama, peguei as minha botas de couro e as virei, cada pé ao contrário, batendo-as contra o chão, para ver se algum bicho, como escorpiões ou aranhas poderiam ter entrado nelas durante à noite. Não havia perguntado se encontraria este tipo de inseto por lá, mas, por via das dúvidas...eu sempre pensava.

No banho, não havia como refrescar-se...a água parecia morna, como se durante à noite um leve sol a tivesse aquecido...uma água de colônia, um pente nos cabelos, a enorme trança feita e pronto! Hora de tomar café e apresentar-se à serviço.

Assim que abri a porta, dei de cara com a tal de Valma. Intimamente meu coração já se entristecia, porque algo me dizia que eu teria aborrecimentos em breve com a sujeita...Com o seu jeito nada "delicado" de ser, e com a mania insuportável de mastigar um pedaço de palha na boca, ela já disparava:
_E aí garota...como foi a noite...fala pra 'loura' aqui...aposto que esta toda moída da cama...(risadas). Eu também fiquei assim...agora já acostumei.Olhei para o outro lado...ao longe via abutres sobrevoando uma área da mata, mais afastada. Voltei o olhar na direção dela, e mirei bem dentro dos olhos azuis e frios da infeliz...

_ Não se preocupe...Eu sobrevivo.

Como não podia deixar de ser, ela veio com seu sarcasmo.

_ Ehhh...princesinha...vai ter que se acostumar com muita coisa aqui...Eu olhei de novo dentro dos olhos dela, mas desta vez me aproximei bem, quase em posição de duelo, e lhe disse, muito seriamente num tom que acho que a intimidou, pois pela primeira vez a vi ficar calada depois de eu ter dito alguma coisa.

_Só vou me acostumar, com o que eu quiser. O que eu não quiser, simplesmente eliminarei da minha vista e da minha vida, certo?

Vesti a jaqueta, e me dirigi ao atendimento, deixando-a na mesma posição, para trás.

Nisto em meio a alguns passos, Zeeka apareceu por trás de uma árvore, a alguns metros de onde eu estava.

_Esta mulher...cuidado. _ disse ele. Eu dei um sorriso de quem diz: "oh, puxa...não fui injusta! Ela é mesmo insuportável...".

_Não se preocupe, eu sei lidar com gente como ela...(risos) Fugi de algumas de onde eu vim.

Zeeka fez que entendeu mais do que devia.

_Espero que apesar de tudo...você tenha paz aqui.

Saí acompanhando os passoa dele em direção ao atendimento, e o ajudei a carregar umas sacas que tinha nas mãos.

_É farinha. _ disse ele. _ Ashanta precisa pra fazer broas.

De repente, ouvimos um som de gravetos sendo pisados. Valma tinha nos alcançado.

Aquela mulher me dava uma sensação horrível...lembro de ter reações nada elegantes ou pacientes em relação à ela. Ela me enervava. Parecia que eu a olhava dentro e via o quão ela era feia no seu interior...Até a voz dela me incomodava...eu sentia que ela não tinha algo bom naquele coração. Eu a via como uma mulher insossa e amarga, mal querida, solitária, talvez justamente por ser deste jeito.Porque eu estava solitária...mas porque ao contrário dela, era pisada por ter um bom coração.
Uma vez, uma amiga me lembrou que existem pessoas que parecem ter um prazer indescritível humilhando os dóceis de coração e de alma. E estive até àquela parte da minha vida, convivendo com pessoas assim. E não pretendia ter vindo de tão longe para aturar outras...
Não restava mais dúvidas. Eu tinha de pensar numa solução rápida. O melhor a fazer era não cruzar no caminho dela...o problema é que ela estava sempre no meu. Tinha de evitá-la, afinal viajei para muito longe para ter algo que onde eu estava não tinha: paz interior.
Estava na hora, eu senti, aproveitando o testemunho e a retaguarda que Zeeka oferecia, para dizer algo àquela sujeita. Não consegui resistir. Eu começaria o dia, na tentativa de eliminar de uma vez a presença daquela mulher do meu caminho, que eu sabia, estava nele, para prejudicar-me cedo ou tarde. Ela era uma encrenqueira.E eu alguém em busca de paz.