The Brazilian Daily Artist

Thursday, July 03, 2008

Ajuda Humanitária



Os que me conhecem há muito tempo já sabem, porém os que não conhecem então saberão que dediquei uns bons anos de minha vida envolvida na ajuda humanitária e que estive em alguns lugares dentro e fora do Brasil. Cansada de muitas coisas irremediáveis na minha vida familiar e pessoal, joguei tudo para o alto, saí de minha vida e fui me envolver no triste mundo dos excluídos, que muitas vezes sofrem o pior tipo de miséria: a fome de amor.

Fora, estive envolvida na provisão de comida, remédios e de minha própria força tarefa, cuidando de doentes, orfãos, feridos e desabrigados. De bem cuidada burguesa, passei por situações muito difíceis, aprendendo a tirar recursos do nada, a tirar leite de pedras. Corri risco de vida, dormi em lugares inacreditáveis, e comi as coisas mais rejeitáveis pelo povo das cidades, bem situados, em suas vidas estabelecidamente irretocáveis.

Chorei por gente que nunca havia visto, alimentei filhos que não eram meus, tratei de feridas que fariam muitos estudantes de medicina vomitarem...

Eu fui conhecida como Anita, e eu era uma espécie de "mãe", eu era a personificação da entrega abnegada, do amor desinteressado, da alegria na tristeza, da esperança na carência total de provisões e de sentimentos aconchegantes...fui de lar em lar, levei também as palavras de consolo, de ajuda, de esperança para cada um dos que revoltados com a vida, falavam, gesticulavam, e gritavam diante de mim...

Sós, aflitos, chorosos, injustiçados...crianças leves, às quais eu era capaz de levantar em um só braço, velhos e velhas que há tempos não sabiam o que era ser tratado com carinho...mulheres destruídas por dentro...homens com o espírito irreversívelmente quebrantados pelo fracasso e pela frustração de tentativas insucedidas...

Nem sempre falei de minha vida, mas quem convive comigo não demora muito tempo para notar o meu jeito de ser, de construir meu caminho e de ter um imã, uma atração inegável com todos os que cruzam o meu caminho, levando-os a pelo menos sentir indiscutivelmente uma coisa: que são amados sim. Podem não ser por muitos no mundo...mas são por outros...E também por mim.

A ajuda humanitária ainda existe. E enquanto houverem os menos favorecidos, ela existirá.

Graças à Deus!!
À Zeka, Burkina, Aisha, Kunta. O pouco que para vocês era muito, lhes foi providenciado. Hoje, fazem pelos outros o que lhes foi feito um dia. Angola, terra de gente que sofre, mas que renasce na ajuda ao próximo.




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