The Brazilian Daily Artist

Tuesday, November 11, 2008

CAMINHOS INDELÉVEIS _ CAP .5


'DRIBLANDO ENCRENCAS'

Decidi não prestar muita atenção nele. Eu havia atravessado o mundo para fugir de problemas. Não estava disposta a cometer o mesmo erro. Precisava resistir a tudo o que pudesse a curto, médio ou longo prazo. E nisto eu havia ficado uma exímia conhecedora. Eu me posicionava então, como podia, podando todas as possibilidades de encrencas futuras. Ele não parecia representar uma encrenca, necessáriamente. Mas mesmo assim, estava nas minhas prioridades restritivas.
Assim que o ancião foi acomodado de novo no leito, fui recolher toalhas, avental, e guardar os apetrechos utilizados. Quando retornava, o médico estava de pé no meio do ambulatório e ficou sem dizer palavra, parado, olhando para mim. Muito seca, perguntei:
_Ainda precisa de alguma coisa? Estou indo ver a pequena Maruhla...
Ele olhou para trás instintivamente, em direção ao leito da pequena, e voltou-se em direção à mim._Por falar nela tenho de ver o estado da perna...
_Está reagindo bem aos antibióticos..._Tem cuidado dela nestes dois dias? Ela não te deu trabalho? É uma criança problemática, arredia...
_ Sim, eu sei, mas tivemos um bom contato. Acho que já ganhei a sua confiança.
Ele passou os dedos entre os cabelos lisos e escuros, e levantou as sobrancelhas grossas e bem desenhadas. Eram sobrancelhas bonitas.
_É, eu acredito...parece não ser muito difícil confiar em você. O pouco que observei, revelou-me que você é uma pessoa meiga. Tem tato com as pessoas. O que fez você vir para cá? Por que aceitou o trabalho voluntário? A vida aqui é dura, moça. E vivemos sob tensão.
_ É uma longa história, um dia eu conto. Não é uma coisa que me agrade falar. Quanto à ter vindo não é surpreendente. Sempre fui uma pessoa desprendida e abnegada, sempre me importei com coisas que realmente valessem a pena. E estas pessoas valem. E precisam. E eu também. Quanto a viver sob tensão...(sorri)...Tive um longo e eficaz treinamento.
Percebi que ele havia ficado curioso. Mas encerrei a conversa por ali. Para quem queria driblar encrencas, eu já estava me extendendo muito. Era hora de mudar de caminho.
_ Bom _ disse eu, amontoando a roupa recolhida nos braços. _ Vou ver a menina. Até.
_ Até.
Como sempre que me avistava chegar perto, a pequena Mahrula cruzou os braços sobre o rosto. mas o pequeno sorriso se via por baixo dos mesmos. Ela gostava de mim. Aproximei-me da cama, e disse:
_Oi, querida...nem sei se me entende...mas acho que sim. Vou levar estas coisas lá para dentro, e volto aqui, certo?Arregalei os olhos fazendo uma cara engraçada para ela e disse: _ E quando eu voltar não quero ver dedos na boca, ok??
A menina, deu um pequeno pinote, e pela primeira vez, ouvi algum som emitido por ela. Ela gargalhou. Ganhei o meu dia...
A lavanderia ficava no outro pavilhão. Alguns nativos trabalhavam na lavanderia, e para minha surpresa, havia uma passadeira a vapor. Era um lugar úmido e quente. Deixei as roupas dentro de um enorme recipiente, dei uma olhada geral pelo ambiente, e voltei para o ambulatório.Encontrei Zeeka no meio do caminho.Abriu um generoso sorriso!
_ Bwana! _ gritou ele, entusiástico!
_ Como passou a noite? Devolvi o sorriso e respondi com o mesmo entusiamo.
_ Bem, Zeeka, consegui dormir bem. Apesar dos mosquitos!
Ele riu. Juntos, fomos para o ambulatório. Fui direto ao leito de Maruhla. desta vez ela não estava com o dedo na boca. Aí, foi que eu tive a confirmação de que ela me entendia. Ela entendia o português.Fui ajeitando seu travesseiro enquanto falava. Zeeka estava parado do outro lado da cama, de frente para mim.
_ Veja, Zeeka, Mahrula não coloca mais o dedo na boca! Está ficando uma moça civilizada! Zeeka apertou o dedão do pé da menina e brincou: _ Muito bom!...Estava vendo a hora que colocaria este dedão feio na boca também.
_ Ora, Zeeka, o dedão dela não é feio!_É sim! _ insistiu ele.
Mahrula puxou o lençol e cobriu a cabeça, envergonhada.
_ Mahrula, vou trabalhar. Daqui a pouco o doutor virá para ver a sua perninha. Quero que seja comportada, certo? Ela levantou a cabeça sob o lençol e deu uma risada. Aquilo significava que ela obedeceria.
De repente, ouvimos um som que nos chamou a atenção. Uma mulher sentada a beira da cama, havia vomitado no chão.
Corri para acudir, e Zeeka foi em seguida. A mulher, uma negra de seus 25 anos aproximadamente, tinha uma coloração amarelada que não era comum. O médico veio ao nosso encontro, e solicitou à equipe responsável pela limpeza que limpasse imediatamente o vômito no chão. Foi prontamente atendido por um dos nativos que ajudava na manutenção do ambulatório.Tão logo o rapaz limpou a poça, o médico ajudou a mulher a se deitar, tomou da lanterna e verificou suas órbitas, e depois a pulsação.
_Como está este estômago, senhorita? _ perguntou em dialeto.
A mulher transpirando e sôfrega, informou que estava sentindo dores na boca do estômago. Afastou-se da cama e chamou um outro residente. Falavam-se entre eles e olhavam para a mulher ocasionalmente.
Segurei a mão dela, mole, fria. Perguntei em português, qual a enfermidade dela, mesmo sabendo que ela poderia não me compreender.E não compreendeu mesmo...Fui até o prontuário preso na cama, mas ele não estava lá. Olhei direto para o médico, e eis que ela estava nas mãos dele.Devagar, como um felino, fui aproximando-me deles. O outro médico já se retirava e eu fiquei a sós com o médico.
_Desculpe...qual o seu nome, eu não consegui ler no seu jaleco. _disse-lhe.
_Nem vai...aqui não tenho jalecos bordados...são artigos de luxo...no máximo são carimbados. mas este aqui não tem. O meu nome é Abel.
_É um bonito nome. E lembra uma bonita história.
_Bonita não, triste.
_Bonita. Pela fidelidade do Abel protagonista. Por sua mansidão e respeito.
_Não tinha visto por este lado.
_É...eu costumo ver lados que as pessoas não vêem._Não entendi...
_Esquece...estou divagando..._sorri._O que houve com aquela mulher? Fui ler o prontuário, mas você está com ele.
_Aquela mulher tentou o suícidio. Ela queria tanto se matar que não tendo com o quê fazê-lo, misturos produtos de limpeza e tomou. Por pouco não sobrevive mesmo...mas enfim, a vizinha chegou logo em seguida e ao ver o que ela tinha feito, fez os homens da aldeia trazê-la para cá. Mas seu estado ainda inspira cuidados. Eventualmente ela ainda manisfestará náuseas e vômitos. Mas vai viver...eu espero.
_Ninguém perguntou o porquê?

_Por quê o quê?
_Qual a razão dela ter tentado o suicídio.
_Tenho uma pista...estava grávida de dois meses. Encontrou o cara errado.
Olhei para a mulher e tive uma sensação de imensa piedade. Pensei em tantas e tantas mulheres...Pensei em todas. Pensei nas que não se iludem mais...e nas que ainda se iludem...não por serem tolas...mas porque sempre têm a esperança de que aquele com quem se envolvem têm responsabilidade ou lhes têm amor.
Nem dez minutos da comoção pelo vômito da mulher, e uma voz infantil começou a gritar. Embora houvesse outra criança no pavilhão, não sei porque achei que era Mahrula. E eu estava certa. Corremos. O dia hoje estava decididamente movimentado...

Monday, November 03, 2008

NOITE DE AUTÓGRAFOS



Foi nesta segunda-feira a noite de autógrafos de Carlos von Schmidt no lançamento de seu novo livro, "Além do Sol Nascente" na Livraria da Vila, espaço literário que eu recomendo a todas as idades!



Eu, Luísa Artèsa, com exemplares do novo livro.



Carlos Von Schmidt, e eu, Luísa Artèsa.

Sunday, November 02, 2008

CAMINHOS INDELÉVEIS _ CAP.4 _ POR LUÍSA ARTÈSA


"Caminhos Indeléveis" _ cap.4

"SURGEM AS COMPENSAÇÕES"

Ao chegar no ambulatório, a menina estava sentada na cama, com as perninhas esticadas. O antibiótico administrado de oito em oito horas havia dado resultados positivos, era evidente que o medicamento reagia porque o ferimento de Mahrula mostrava uma surpreendente melhora.Assim que me viu cobriu os olhos com o antebraço, mas abriu um largo sorriso que não podia deixar de comove. Ela tinha gostado de mim. Eu fiquei muito gratificada com isto porque segundo Zeeka, Mahrula era um bichinho assustado que não permitia nenhuma forma de contato mais próximo, às vezes para tratá-la, os enfermeiros tinhas problemas pois debatia-se e chorava, gritando e só o cansaço vencia o comportamento arredio da pequena. Quando calma e só, ficava horas olhando para o teto com o dedo na boca. Fui lavar minhas mãos, o calor já começava a dar seus ares, e podíamos ouvir cigarras... Pela porta lateral entrou um homem, mas eu não me virei para olhar. Dei alguns pasos em direção ao lavabo quando o ouvi dizer:

_Você aí! _ Continuei em direção ao lavabo achando que não era comigo, mas ele repetiu o chamado e então soube que era mesmo comigo...

_Você aí, de trança! _ Era comigo mesma...dei uma brecada súbita e me virei em direção a ele._Precisa de ajuda?
Ele me olhou, levantando as sobrancelhas e disse meio irônico:_Não, eu te chamei porque estou indo para o bar e queria companhia para beber.

Para não perder o hábito de devolver as ironias que me são dirigidas, olhei para ele com uma das sobrancelhas apenas de pé, e arrematei:
_Ah...puxa...não vai dar...Você é lindo, a companhia seria ótima, mas eu não sou muito chegada a bares...botecos não fazem meu gênero...mas, obrigada assim mesmo.

Ele olhou duro desta vez e disse..._Engraçadinha...é das minhas não é? Ironia por ironia...faça logo o que tem de fazer, lavar suas mãos seja lá o que for, e volte. Preciso da sua ajuda aqui.
Virei-me imediatamente em direção ao lavabo.
O sabonete de benjoim já podia ser sentido antes mesmo de eu abrir a porta. Abri a torneira e olhei-me no espelho.Por um segundo imaginei que se não tivesse me metido naquela aventura provavelmente estaria em minha terra,em minha casa, aborrecendo-me. Então, eu vi que eu tinha feito uma boa escolha...ali eu estava aprendendo coisas que eu sabia, seriam úteis por toda a minha vida.Enxuguei as mãos e voltei para o ambulatório.
O médico estava lá, parado olhando para a porta do lavabo com uma expressão de impaciência. Parei diante dele e já fui disparando:_Aqui estou, em quê eu posso ajudá-lo?
_Preciso que me ajude a mover um paciente da cama e levá-lo até o quarto de banho.Regule a água fria, preciso baixar a temperatura do corpo dele.Vamos lá.Imediatamente, o segui até o leito do paciente.
Era um ancião frágil, franzino, vestido com um dos aventais já remendados. A cabeça trazia um ferimento, como se tivesse sido uma bala de raspão, mas não necessáriamente..._ O que foi isto? - perguntei ao doutor.
_ Levou um golpe na cabeça, numa briga no vilarejo.A história nem era com ele...mas estava no meio dos brutamontes.
_Coitado...O médico me olhou por um instante, depois deu-me um tapinha no braço, como se eu fosse sua parceira de pôquer, no que de imediato se tocou e resvalou:
_Meu Deus, desculpe...às vezes esqueço que tem mulheres aqui.Ele pode não ter percebido...mas aquela frase para mim vinha com diversas coisas interessantes subentendidas.Não sei porque, mas ali, relaxei com ele. Não oferecia perigo para mim.Gostei dele.
_ Não se preocupe...uma mulher que vem para um lugar deste não espera receber beijos e rosas.
Sem querer, havia dado a ele uma resposta tão reveladora quanto a dele. Inteligente, tanto quanto eu, percebeu algo velado nas entrelinhas...Ao mesmo tempo que tomava nos braços o velho contundido, fitava-me fixamente no rosto, parando o olhar bem dentro do meu, com uma expressão interrogativa.
_Sem comentários...
_Acho melhor...
Também não comentarei que nem sequer percebeu que tem mulheres a sua volta...Ele sorriu um sorriso de Mona Lisa, e me pediu para acompanhá-lo, não sem antes apanhar um novo avental limpo, e alguns apetrechos, assim como uma toalha. No quarto de banho, ele me pediu para colocar uma cadeira embaixo do chuveiro, e assim que o atendi, ele colocou cuidadosamente o velho. Eu só o observava, calada...era um homem bem disposto e forte. Abrimos o chuveiro, e começamos a banhar o velho.Ele ficava inquieto, alheio ao nosso tratamento,pela febre alta,lembrei de buscar o sabonete de benjoim...fui até a pia do lavabo e o trouxe, e com a ajuda de uma gaze, fui, inclusive lavando o ferimento dele, que jazia num imenso "galo" na testa.
Ao terminarmos, enxuguei-o cuidadosamente porém, de forma ligeira, e então pusemos o avental para levá-lo direto a cama. O rosto do médico estava banhado por um jato de água que o havia atingido e pingava...sem pensar muito na hora, instintivamente, passei a mão na segunda toalha, ainda em desuso, e o enxuguei.
_Boa menina. _ me disse.
_Desculpe! _ falei _ foi um ato instintivo.
Aquele contato desajeitado, não significava nada para mim.Estava tão farta das pessoas, que eu sabia que cedo ou tarde encontraria uma forma de me distanciar dele. Mas não ainda. De alguma forma parecia que nós dois bailávamos a mesma música, ambos irônicos, mas responsáveis. Ativos demais, quase desesperados...úteis.

MEMÓRIAS DA PEQUENA DESENHISTA _ CAP.3



Memórias da Pequena Desenhista _ cap.3

"CONFLITOS E FUGAS"

A noite chegou e uma chuva fina caía. Meu pai já estava por voltar.
Minha mãe, falava com minha avó, Aurora, a mãe de meu pai, e pela conversa delas, eu já sabia: uma noite de chatices me esperava. Fui para o quarto e sentei em frente a escrivaninha. Eu olhava meio pensativa para uma estante de madeira grande e patinada de marfim, com decalques de desenhos animados conhecidos. Lembro-me de gostar muito de alguns em especial, como de um urso, e de um personagem de Hanna Barbera, a Penélope Charmosa. Havia um decalque dela na estante em seu carrinho cor-de-rosa, com maquininhas automáticas de passar batom, rouge e pó. Muito engraçado...

Mas meu coraçãozinho já afligia na espera...eu sabia que teria uma noite desagradável. Minhas irmãs irritavam...entravam e saíam do quarto, tiravam coisas do lugar, disputavam brinquedos. Eu precisava me ocupar, fazer algo...vou ler, pensei. Eu tinha uma coleção do Tesouro da Juventude...deixe-me ver o que ainda eu não tinha lido..._pensei.Porém, minhas irmãs entravam e saíam do quarto...não conseguiria ler em paz. Resolvi desenhar mesmo...ao abrir a gaveta, vi que tinha uma aquarela...fui até a cozinha, enchi um vasilhame de água, e levei para a minha escrivaninha. Preparei as folhas, o pincel de pêlo de marta...de repente olhei e falei a mim mesma..._de marta, não! Não é uma boa idéia na água...deve ter algum de pelo sintético...revirei a gaveta, e lá no fundo encontrei um de cabo vermelho e pelo sintetico. Agora, a inspiração...era só o que precisava...Comecei a pintar um jardim...daqueles dos livros em que via Monet...mas só que no lugar de ninféias...eu enchia de amapolas...amapolas rubras, matizadas de alaranjado...folhas verdes do escuro ao claro. Muitas muitas amapolas, sob um céu mesclado de rosa...gostava quando via o céu com nuvens róseas...nuvens com as bordas incandescentes no meio do azul que lhe servia de fundo...Elas continuavam entrando e saindo até que uma delas, Moira, derrubou toda a água de meu vasilhame, ao tentar atirar uma boneca em Claure, a outra...A menor começa a chorar e minha mãe entra no quarto...e gritos, e gritos, chinelos, e tudo vira um inferno.E nem eu que fui a prejudicada fico ilesa...cada vez entendendo menos a minha mãe, eu já imaginava o que viria quando meu pai chegasse. Enquanto o terceiro conflito mundial irrompia no meu quarto, eu fui para a janela da sala. Deitava o corpo no assento do sofá e colocava os pés no parapeito da janela, e ficava só, mexendo com os dedos brincando de cobrir e descobrir a Lua. A noite clara do luar, era um bálsamo para mim...o vulto do pé de abricó...a vontade de estar longe dali, na casa de meus avós. Só lá eu me sentia bem. Só lá eu me sentia em paz.
Apesar dos gritos e confusões, eu acabei cochilando e dormi. Lembro-me de ter sido acordada com meu pai dizendo que era um absurdo eu estar deitada naquela posição e dormindo, e nenhum adulto na casa ter visto, e me reacomodado.Meu pai me levou pra cama, me ajeitou e cobriu. O falatório irrompeu agora na cozinha, e eu nem quis mais ouvir...deixei-me pegar no sono. Era melhor acordar no dia seguinte sem a continuação da batalha em meus pensamentos...

09:00 do dia seguinte...
Havia música na sala. Meu pai ouvia Maísa. Lembro de achar Maísa depressiva...sofrida.Mas gostava da voz dela. Eu imaginava, criança, que ela era uma mulher que tinha se enfadado com as pessoas...e anos depois eu vi que não estava errada em minha percepção infantil...o que me fazia espantar-me com a capacidade de entendimento e raciocínio que eu tinha mesmo criança.Mas só não havia ainda sacado que mesmo cheia da incompreensão das pessoas, ela ainda provavelmente sofria pela falta delas... Ou pelo menos pela falta das que lhe eram boas...mas tirei logo aquilo do meu pensamento.

Eu tinha este sentimento de enfado das pessoas a minha volta. Sentia-me ali um peixe fora da água...Acordei e de pijama ainda fui a sala. Meu pai fumava na janela de frente para o abricozeiro. O cheiro de pão vindo da padaria me dava fome. Disse um "oi" para o meu pai e fui lá na cozinha atrás de minha avó paterna. Minha vó paterna era uma mulher misteriosa para mim...estava sempre calada. Pouco que falava e era dar um sorrisinho, falar umas coisinhas carinhosas e calar-se. E sempre depois de cada afazer doméstico, ficava sentada num sofá, como uma estátua.
Parecia uma daquelas efígies egípcias, sentadas, imóveis em seus tronos. Sem nada dizer só mesmo dando um sorrisinho, ela trouxe uma cumbuca de mingau de arroz com canela. Ela punha muita canela. sabia que eu gostava. Minha mãe apareceu na cozinha. Como sempre eu a olhava e nem muita coisa dizia. Aquele jeito dela sempre resolver as coisas no grito e nas artimanhas de falar dos outros ou jogar armadilhas, o chamado verde para colher, me irritava.
Eu sentia que minha mãe tinha algum problema comigo...parece que ela presentia que eu não aprovava o comportamento dela, que eu não aprovava o que ela fazia, a mania de difamar àquele que não fizesse a vontade dela. Este jeito dela para comigo, e meu para com ela duraria uma vida inteira...mas eu nunca imaginaria que chegasse ao ponto que chegou. Mas isto é algo mais para a frente...muitos anos ainda passariam na minha vida...e na dela também.


(continua)


SABENDO COM LUÍSA _ "Além do Sol Nascente"

LANÇAMENTO DO NOVO LIVRO DE CARLOS VON SCHMIDT

Nesta 2ªfeira, 03 de novembro, o curador de arte e escritor Carlos Von Schmidt estará lançando seu mais novo livro "Além do Sol Nascente", livro maravilhoso que já tive o privilégio de ler e que traz muitas curiosidades sobre a cultura japonesa e memórias de suas andanças pelo Japão.

Carlos Von Schmidt é autor de outros livros, entre eles "Dali, Libertino e Surreal" e "Na Cama com Picasso".
A noite de autógrafos será na Livraria da Vila, Alameda Lorena.

Acima, a capa do novo livro de Von Schmidt.

Saturday, November 01, 2008

PROGRAMAÇÃO IMPERDÍVEL NO MASP


NOVIDADES NO MASP

A 32ª mostra de Cinema Internacional no MASP acabou hoje, mas os espetáculos teatrais que começaram em 17 de outubro, vão até o dia 09 de novembro, as sextas e sábados às 20:00 e aos domingos às 17:00.

"MOSCARDA" baseado na obra de Pirandello.

Em cena apenas um ator, uma cadeira e uma história. Estes são os elementos de que se vale o espetáculo para, durante uma hora, contar a história de MOSCARDA, um homem atormentado com descobertas sobre si mesmo. Ao ser alertado pela mulher para um pequeno "defeito" em seu nariz, ele nos coloca diante de uma questão existencial e filosófica: QUEM SOMOS?



Wednesday, October 22, 2008

Luísa Artèsa na Off Bienal III



A noite da inauguração da Off Bienal III, foi emocionante! Cerca de 600 pessoas ou mais, compareceram a Galeria Jo Slaviero & Guedes para a noite da arte contemporânea.

Artistas internacionais e nacionais de primeira linha e consagrados, fizeram a grande emoção do público que teve uma variada gama de estilos e de talentos, tendo obras para todos os gostos e segmentos!

Uma noite espetacular, alegre, muito bem administrada pelos responsáveis pela galeria, pelo curador de arte Carlos Von Schmidt, sua assessora Sonia Skroski, e o artista Neno Ramos.
Nomes como Antonio Peticov, Guto Lacaz, Luiz Cavalli, Ju Corte Real e outros compareceram e prestigiaram a noite inesquecível!

Na foto acima, eu (Luísa Artèsa), e duas de minhas obras, expostas na Bienal.

Sunday, October 19, 2008

Burlington London 2009

Em exposição permanente: a tela "Springer" 60X80
Óleo sobre tela de outubro de 2008
Acervo atual da Burlington Gallery 2009.


Saturday, October 11, 2008

CAMINHOS INDELÉVEIS _ CAP.3



"Caminhos Indeléveis" _ Cap.3

"SOLUÇÃO RÁPIDA"


Zeeka estava lá do lado de fora ouvindo a música, com seu irmãozinho menor, um molequinho de seus seis, sete anos com olhões apreensivos e brilhantes no escuro...no seu mau português de sotaque acentuado, o menino me perguntou o nome da música.

Lembro que lhe disse e ainda tive de encontrar um exemplo de pássaro que se aproximasse a uma gaivota, enquanto Zeeka dava altas gargalhadas. _ O que fazem aqui a esta hora? _ perguntei.

Zeeka passou a mão pela cabeça do menino e disse: _ Todos os dias eu o levo para uma volta...assim ele cansa e dorme. Minha mãe está mais velha...não tem mais tanta paciência...vivemos eu, ela e mais três irmãos. Este é o temporão. Sorri e os convidei para entrar mas ele recusou. _ É tarde, moça 'bwana' tem que ir descansar. Amanhã nos falamos...

Concordei, e disse-lhe que desejava que ele me mostrasse onde eu poderia depositar cartas para que fossem despachadas por avião. E nos acordamos em frente à enfermaria. Era hora de entrar e trancar a minha porta. E muito bem trancada, pois ali à noite, era estranho...a noite parecia ter milhares de olhinhos brilhando na escuridão....
O despertador acionou, e não era tudo o que eu queria ouvir...estava tão cansada e com o corpo doído da cama. Levariam dias até que eu acostumasse, mas isto era o de menos. Desci da cama, peguei as minha botas de couro e as virei, cada pé ao contrário, batendo-as contra o chão, para ver se algum bicho, como escorpiões ou aranhas poderiam ter entrado nelas durante à noite. Não havia perguntado se encontraria este tipo de inseto por lá, mas, por via das dúvidas...eu sempre pensava.

No banho, não havia como refrescar-se...a água parecia morna, como se durante à noite um leve sol a tivesse aquecido...uma água de colônia, um pente nos cabelos, a enorme trança feita e pronto! Hora de tomar café e apresentar-se à serviço.

Assim que abri a porta, dei de cara com a tal de Valma. Intimamente meu coração já se entristecia, porque algo me dizia que eu teria aborrecimentos em breve com a sujeita...Com o seu jeito nada "delicado" de ser, e com a mania insuportável de mastigar um pedaço de palha na boca, ela já disparava:
_E aí garota...como foi a noite...fala pra 'loura' aqui...aposto que esta toda moída da cama...(risadas). Eu também fiquei assim...agora já acostumei.Olhei para o outro lado...ao longe via abutres sobrevoando uma área da mata, mais afastada. Voltei o olhar na direção dela, e mirei bem dentro dos olhos azuis e frios da infeliz...

_ Não se preocupe...Eu sobrevivo.

Como não podia deixar de ser, ela veio com seu sarcasmo.

_ Ehhh...princesinha...vai ter que se acostumar com muita coisa aqui...Eu olhei de novo dentro dos olhos dela, mas desta vez me aproximei bem, quase em posição de duelo, e lhe disse, muito seriamente num tom que acho que a intimidou, pois pela primeira vez a vi ficar calada depois de eu ter dito alguma coisa.

_Só vou me acostumar, com o que eu quiser. O que eu não quiser, simplesmente eliminarei da minha vista e da minha vida, certo?

Vesti a jaqueta, e me dirigi ao atendimento, deixando-a na mesma posição, para trás.

Nisto em meio a alguns passos, Zeeka apareceu por trás de uma árvore, a alguns metros de onde eu estava.

_Esta mulher...cuidado. _ disse ele. Eu dei um sorriso de quem diz: "oh, puxa...não fui injusta! Ela é mesmo insuportável...".

_Não se preocupe, eu sei lidar com gente como ela...(risos) Fugi de algumas de onde eu vim.

Zeeka fez que entendeu mais do que devia.

_Espero que apesar de tudo...você tenha paz aqui.

Saí acompanhando os passoa dele em direção ao atendimento, e o ajudei a carregar umas sacas que tinha nas mãos.

_É farinha. _ disse ele. _ Ashanta precisa pra fazer broas.

De repente, ouvimos um som de gravetos sendo pisados. Valma tinha nos alcançado.

Aquela mulher me dava uma sensação horrível...lembro de ter reações nada elegantes ou pacientes em relação à ela. Ela me enervava. Parecia que eu a olhava dentro e via o quão ela era feia no seu interior...Até a voz dela me incomodava...eu sentia que ela não tinha algo bom naquele coração. Eu a via como uma mulher insossa e amarga, mal querida, solitária, talvez justamente por ser deste jeito.Porque eu estava solitária...mas porque ao contrário dela, era pisada por ter um bom coração.
Uma vez, uma amiga me lembrou que existem pessoas que parecem ter um prazer indescritível humilhando os dóceis de coração e de alma. E estive até àquela parte da minha vida, convivendo com pessoas assim. E não pretendia ter vindo de tão longe para aturar outras...
Não restava mais dúvidas. Eu tinha de pensar numa solução rápida. O melhor a fazer era não cruzar no caminho dela...o problema é que ela estava sempre no meu. Tinha de evitá-la, afinal viajei para muito longe para ter algo que onde eu estava não tinha: paz interior.
Estava na hora, eu senti, aproveitando o testemunho e a retaguarda que Zeeka oferecia, para dizer algo àquela sujeita. Não consegui resistir. Eu começaria o dia, na tentativa de eliminar de uma vez a presença daquela mulher do meu caminho, que eu sabia, estava nele, para prejudicar-me cedo ou tarde. Ela era uma encrenqueira.E eu alguém em busca de paz.

Friday, September 26, 2008

"CAMINHOS INDELÉVEIS" _ CAP.2 _ LUÍSA ARTÈSA

"Caminhos Indeléveis _ pag 2"

"PRIMEIROS DESAFIOS"

Saí por volta de umas três horas da tarde. Com o olhar percorri a área externa à procura de Zeeka. As crianças gritavam, numa algazarra não muito bem compreendida por mim, apesar da mania de estudar um pouco de cada idioma...o dialeto deles, não conseguia compreender muito bem...porém alguns falavam bem o português, quer dizer, bem para eles...o ar era seco e o calor atraía as moscas. Vez ou outra era possível avistar animais silvestres em algum ponto do cenário.
Relaxei...estava cansada. O corpo começava a dar sinais de que necessitava de um banho e de uma cama, não importa de que tipo fosse...com o sono que estava, dormiria até na de um faquir...segui para o meu dormitório, rústico, mas preparado com toalhas, água de ânfora e bacia, um pedaço de bucha ainda com as sementes, lençóis e um travesseiro chato. Estava ótimo.
Deixei minhas coisas sobre a cama de solteiro forrada, e fui até o lavatório...um chuveiro simples de metal convidava ao banho. Foi uma das melhores chuveiradas que tomei...parecia sentir o pó dissolvido na água que escorria dos cabelos e do corpo.
Terminado o banho de cerca de uns vinte minutos,enxuguei-me, vesti a calcinha, uma camiseta e uma calça de ciclista bem confortável para dormir. Uma soneca me deixaria revigorada para a hora do jantar. O único problema: não aguentava dormir com luz...tinha de estar em total escuridão...mas, tudo bem...o sono era muito mais forte que a minha fotofobia...
Acordei eram vinte e dez...estranhei não me chamarem...mas em função de que o início de nossas operações seriam apenas pela manhã do dia seguinte, não me preocupei.
Uma das enfermeiras que havia vindo comigo, na mesma turma de voluntários, se aproximou da porta do meu quarto. Devia ter mais ou menos uns trinta anos...um pouco mais velha que eu. Mas nem por isto mais sábia...o que vim a perceber não muito tempo depois...há uma diferença entre, se falar muito, ser comunicativo, e falar demais, além do que se deve...este era o problema de Valma.
Este era o seu nome. Nunca tinha conhecido uma Valma.
Eu gostava de fazer amizade...mas tinha aprendido a manter as outras mulheres longe o suficiente por questão de precaução.
Sem olhar para mim, e não tirando os olhos das minhas coisas sobre a cama, ela foi se chegando...
_ Oi, garota, como é? _ A gente se viu na turma, mas eu não guardei o seu nome... _ disse ela.
Dei-lhe o mesmo tratamento: sem olhar para ela, fui catando minhas coisas e guardando na gaveta de uma velha cômoda ao lado da cama, e ao terminar, sentei-me, e com um pente de osso, fui penteando o longo cabelo...
_ Você fuma? _ perguntou ela. _Tenho os fósforos...mas não os cigarros...
Continuei penteando os cabelos, cheirando ao benjoim do sabão usado no banho, e disse-lhe meio que em suspiro de enfado, dando-lhe a entender que não estava para muita conversa e queria encurtar a história...
_ Não fumo...parei com esta droga há um ano. E não pretendo voltar. _ disse.
Ela me lançou um olhar denunciando um desdém, e atirou:
_ Hummm...determinada!...Tem autodomínio, isto é bom... Ao vê-la revirando os olhos ao falar, numa demonstração de sarcasmo, pensei, ao invés de lhe falar:
"...Tenho mesmo um excelente autodomínio...Porque se eu não tivesse, já tinha lhe pego pelo braço e posto do meu quarto pra fora, mulherzinha irritante e intrometida!...".
E para minha surpresa, ela parece ter lido meus pensamentos, ou então, pior, eu tinha falado alto!!
Ela deu uma girada nos calcanhares, e dirigiu-se a porta, não sem antes me olhar com aquele olho de tainha pescada há horas...e finalmente saiu do meu quarto.
Eram vinte e trinta e cinco...possivelmente por ser o primeiro dia, ninguém foi reclamar e nem apressar a comida e a dormida para os compromissos do dia seguinte. Não estava com fome.
Fechei a porta do meu quarto, estiquei-me na cama, e com o braço direito alcancei a minha mochila, na cadeira posta ao lado, na cabeceira. Saquei da minha gaita, e então comecei a tocar uma música latina antiga...


Gaviota que ve a los lejos
Vuela muy alto
Gaviota que emprende vuelo no se detiene
No te detengas, triste gaviota
Sigue tu canto, sigue tu canto
Tal vez mañana cambie tu suerte
Es tu destino que un mal amor
Vista su alma de negro duelo
Ingrato amor
Rompió sus alas
Ingrato amor
Manchó sus sueños...
Un día a esa gaviota yo vi pasar
Llevaba entre sus alas la soledad
Triste gaviota, calló su canto, dejó su nido
Dejó su nido, triste gaviota te vi pasar...
Es tu destino que un mal amor
Vista su alma de negro duelo
Ingrato amor
Rompió sus alas
Ingrato amor
Manchó sus sueños!...

Quando terminei, ouvi do lado de fora, alguém batendo palmas. Mas não eram palmas de mulher...eram de um som forte e surdo...levantei curiosa e sem abrir a porta, olhei por uma fresta da janela de madeira... era o nativo!

Zeeka...sim, era este mesmo o nome dele. Um amigo que viria a fazer ali. Um sincero e companheiro amigo...
(continua)



Saturday, September 20, 2008

CAMINHOS INDELÉVEIS" _ PAG.1 _ LUÍSA ARTÈSA


"Caminhos Indeléveis" _ Luísa Artèsa _ pág1.

"MUDANÇA RADICAL"

Houve uma época em que sumi...Eu nunca sabia o que seria do dia seguinte e onde estaria. A única certeza é que estaria longe, e buscando um pouco de paz.
O cansaço do convívio com certas pessoas de meu círculo pessoal, que por uma questão natural e genealógica, eu tinha social e moralmente de "suportar", me levaram a dispensar as convenções. Afinal, quem impôs isto??
Eu então pensava: _ Nem Deus!
O diabo não era um anjo? Não era um filho de Deus, uma criação Dele, e na hora do basta, Ele não o expulsou do paraíso, mandando-o para baixo?? Pois ninguém mais iria me fazer agüentar uma gente tão a ver, e no entanto, tão diferente de mim...afinal, eu era um rio tentando me manter em águas calmas, porém, sempre desaguando no mar revolto e escuro das tempestades imprevisíveis...
Era hora de dar uma de doida e sumir mesmo! A minha sanidade e minha paz de espírito em primeiro lugar! Me dê licença!!
Esta atitude levou-me a descobrir coisas maravilhosas. E a descobrir-me.

Quem sou e o para quê, em fim de contas eu tinha utilidade neste mundo. Descobri que sem lenço e sem documento pode-se fazer coisas inesquecíveis...sem nada dever a quem tem recursos para fazê-lo. O meu primeiro passo era aprender a me despir dos resquícios burgueses, dos meus confortos adquiridos graças aos homens de minha família, que já aquela altura não existiam mais, e por isto mesmo, me manter nela, era algo que já não me cativava.
Eu era um membro da família extremamente racional, às voltas com pessoas completamente emocionais, passionais, tempestivas...de um jeito que por mais que eu tentasse não conseguia ser. Não me fazia bem aquilo.

O básico: três mudas de roupas, duas botas de couro, dois jeans resistentes, uma jaqueta confortável, que não incomodasse no verão e esquentasse no inverno.
Os cabelos longos demais, tinham de viver presos agora. E tudo o mais, eram um recipiente de álcool etílico, para esterilizações de emergência, e profilaxia, uma panelinha de ágata, um isqueiro e outro reserva para o fogo, e de resto, enquanto o meu dinheiro desse, ia levando...e quando não desse mais...todo o know-how adquirido na minha vida até então, todas as habilidades que descobri ter, e as que desenvolvi, e o conhecimento ganho na enfermagem me serviriam. E fui.

Era engraçado o olhar curioso daqueles homens...homens que por um instante dentro daquele avião verde desbotado com idade que remonta a tempos jurássicos, e os quais eu olhava em off, e ficava imaginando, se estariam naquela vida por vontade própria, por pressão da família ou de um terceiro, ou se por não ter outros recursos ou meios de vida. Homens jovens que podiam viver ou não além dos seus 18-24 anos...que poderiam ou não ter de estar em uma situação que interromperia-lhes a vida, assim na flor ainda...alguns que talvez tivessem uma boa vida ao lado de gente boa que lhes amasse e para os quais eles fizessem toda a diferença e falta...não como eu...cujas pessoas tinham conseguido cansar a ponto de nem mais estar me preocupando com isto...afinal, da pessoa que eu mais amava e que realmente me fazia falta, 'ela' já tinha conseguido temporariamente me separar...temporariamente. Porque eu trabalho o inimigo, eu o estudo, e depois, como num sopro apenas...o venço, vendo-o cair vencido pelo seu próprio mal.
Assim agem os justos. Estou sempre para o perdão, e o adversário nunca para receber, pois o orgulho não deixa.
Os meus pensamentos foram dissipados de repente pelo barulho do motor. E decolamos...o mundo lá embaixo se tornava longe do meu alcance...a paisagem menor, cada vez menor. Um pensamento me ocorreu: _minha gaita! Será que eu a tinha trazido??

Chequei de imediato os bolsos externos da mochila de lona e couro, e para a minha alegria, ela, a Blessing cromada estava lá. Um dos bens 'dela', que 'ela' não tocava, mas disputava a posse do objeto comigo, e que eu, em troca de tudo o mais que me pertencia e deixei para 'elas', tinha trazido, pelo menos, comigo. E seria útil como companhia na minha aventura solitária.
Que chegássemos logo...era tudo o que eu queria...mas era uma viagem longa...quando criança imaginava como uma aeronave, avião ou helicóptero, podia transportar tanto peso...e ali eu comecei a ver a maravilha de estarmos todos nós com seus respectivos pesos entre 60 e 90 quilos cada um, uma carga de suprimentos pesada, além de todos os apetrechos necessários e próprios. Enfim, cochilei...já não tinha dormido a noite anterior...

Quando desci do avião, depois da maioria daqueles jovens que apesar de tudo tinham um ótimo bom humor, o solo era tão arenoso, tão seco que senti o solado da bota friccionar o chão. Pensei:
" _É moça...Aqui tu vais comer poeira!..." (risos secretos)
_ "Adeus esmaltes de unha, shampoos cheirosos para cabelos, água de colônia de qualidade" ...ainda bem que conhecia botânica e meu conhecimento na fabricação de perfumes artesanais me serviriam para fazer um aroma melhor que o de feno seco e bosta de animais no sol quente a evaporar...
Devidas apresentações, exames adicionais, inspeção dos lugares, contatos, radiofonia, pronto-socoro, etc...o que poderia ou não fazer, o que deveria ou não experimentar...

E então, fui a enfermaria do acampamento...ao local de administração e divisão de suprimentos...e comecei a ser apresentada gradualmente aos outros voluntários, aos superiores, e aos nativos, da pele escura e ainda mais curtida do sol, de um negro lindo, às vezes âmbar, e às vezes quase azulado,com seus cabelos muitas vezes empoeirados e os pés sempre na maioria sem sapatos e com os calcanhares rachados e grossos de tanta terra.
Uma estranha sensação de paz me sobreveio. Eu, finalmente, estava no meio de pessoas que mereceriam meus cuidados, amor e atenção...tudo o que eu sabia e poderia oferecer. Estes sim, saberiam, em suas dores e privações, dar o real valor ao presente que lhes seria ofertado.

Os olhos negros, com órbitas amareladas e vasos sanguíneos notáveis, de expressão amiga e curiosa, me denunciaram isto.
No pequeno postinho onde cuidavam de alguns dos nativos, velhos e crianças, com toda a sua forma improvisada, mas, no entanto, eficaz, eu conheci a Mahrula. Num espaço aberto da proteção telada de seu leito, eu via seu rosto. Me aproximei de sua cama, cuja plaqueta de identificação tinha registrado o nome dela...O meu lado maternal já chamava, e o meu lado altruísta e de ação a tomar, foram idem até ela. Olhões espertos, mas tristes me fitaram meio cabreiros...mas sorriu e tampou os olhos com o antebraço, mostrando timidez.
A perna direita, fina e de pele ressecada, tinha uma ferida. O quadro era preocupante, mas não desesperador. O estágio da inflamação bem desagradável ao olhar, um certo cheiro incomodativo se podia sentir subitamente. Em seu leito havia um cortinado de tela fina, como um filó, para evitar o ataque das moscas, muito comuns no lugar, que sobrevoavam eventualmente o local, apesar das janelas com coberturas. Um inseto destes, numa ferida como aquela, é um problema.
A pequena angolana tirou o braço dos olhos e me olhou mais uma vez, e enfiou o dedo polegar na boca.
Eu tinha de segurar toda a emoção possível ali. Que espécie de voluntária, de missionária eu seria se me desmontasse a cada vez que topasse com os efeitos da injustiça, da violência, e da morte ali? Eu tinha um coração. Mas ele ali teria de se comportar friamente, ou pelo menos, praticamente. Isto para mim, às vezes, era um sacrifício.
Ela parecia não entender nada do que eu falava. Alguns nativos falavam o português, mas alguns não. Sómente em seus dialetos. Todavia, eu sabia de uma coisa importante e certa: _ Há uma língua que é universal: o amor.

_ Você pode tirar o dedinho da boca, querida? E fiz o gesto de quem pede para que o objeto ou membro seja retirado da região bucal. _ e ela ainda não compreendia, embora eu tivesse certeza que tinha me entendido.
Retirei do bolso uma lasca de cana doce que eu tinha trazido do refeitório, e lhe ofereci para pôr no lugar do dedo. No alvo!
A pequena pôs-se a chupar o pedaço de cana, e eu então resolvi, lavar as mãos na cuba próxima à cama, e prepara uma gaze limpa embebida em soro para limpar as extremidades da ferida, que escorria secreção em razão do processo inflamatório da lesão. Fui lavando a ferida com toda a precaução, sem que a pequena demonstrasse incomodação, e a protegi de novo.
Quando terminei o procedimento, eu tinha descoberto. Descoberto que tinha sido feita para aquilo. Para aliviar nos outros a dor que ninguém tinha o poder de aliviar em mim.
Meus dias ali estavam começando apenas...havia muito o que fazer, muito o que conhecer, muito o que escrever...lápis, papel, música e tinta estavam sempre comigo. Eram mais fáceis de achar em minhas coisas, que um pacote de biscoitos ou uma barra de chocolate em minha provisão de alimentos. Antes de tudo, onde eu postaria minhas cartas? Qual era o sistema de entregas? Tinha de saber...hum...o nativo, o dos olhos abnegados...eu tinha que ir até ele.

Acho que Zeeka era o seu nome."
(continua)


Saturday, September 13, 2008

MEMÓRIAS DA PEQUENA DESENHISTA _ CAP.2 _ LUISA ARTESA

'Amapolas Rojas' 70X100 oleo sobre tela 2008


"Memórias da pequena desenhista" _ pág. 2 _ Luísa Artèsa.

"Música e Pensamentos"

"Às 12:00 de uma quinta feira, o Rio de Janeiro parecia ferver de quente!
Se ouvia "My Way", na voz de Sinatra, em algum lugar...Não era o que as meninas da minha idade ouviam, mas eu tinha um gosto diferente...eu crescia ouvindo músicas e lendo coisas que as garotas da minha idade não liam...saí na sacada do quarto, a grade trabalhada e pintada de amarelo me deu idéias para desenhar. Eu gostava de amarelo, a cor alegre que eu identificava nos terrenos a volta da casa de meu avô, nos girassóis imensos que nasciam em vários pontos deles.
Sinatra ainda cantava quando o telefone tocou...era o meu avô, ele ligava várias vezes pra casa, sempre. Parecia um cão de guarda, estava sempre atento a nós todas, as mulheres da casa, e mesmo de longe, ele conseguia fazer isto muito bem!
As mulheres da casa reclamavam, achavam desgastante, possessivo, controlador...mas eu não.
Eu via naquilo o cuidado e o amor dele. E nunca encontrei na vida um homem que fizesse por mim o mesmo que ele fazia quando eu era a neta preferida, a das conversas altas horas da noite, assistindo filmes com ele, e aprendendo que a vida era muito mais que me ver entre mulheres que nada tinham a ver comigo, e cujo temperamento bélico e egoísta me irritava, e do íntimo me tirava a calma...
Fui para a cama, fechando a porta da varanda...derrubei sobre a colcha da cama a bolsinha cheia de giz de cera colorido, e muitas, muitas folhas de papel...e ia para o meu mundo. O mundo onde eu não ouvia os gritos desnecessários de minha mãe e das minhas irmãs, sempre com reclamações, e disputazinhas tolas por qualquer coisa...de um tijolo a um grampo de cabelo...
A música agora era outra...Domenico Modugno cantava para eu pintar as minhas amapolas...amarelas, desta vez... claro!
E colorindo eu pensava em um dia estar num mundo sem mulheres, só de homens, e de homens zelosos como meu avô, e elegantes de espírito como meu pai. Mas a vida parece que me reservou outra coisa...estar sempre ao lado de quem nada tem a ver comigo. Só que eu mudo as regras do jogo quando quero, e agora, anos e anos depois, descobri que posso mudar. Mas ainda estamos falando da pequena desenhista..."


'Cena de Primavera' 70X100 oleo sobre tela 2008


Copiar, veicular textos, poesias e outros, sem a devida autorização do autor é crime. Qualquer cópia, parcial ou total, dessas obras, será o autor processado, conforme a LEI DE DIREITO AUTORAL. Caso você tenha visto um texto, poesia semelhante a estes, favor entrar em contato através do meu e-mail: l_artesa@yahoo.com. Nova Lei do Direito Autoral LEI Nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.

Monday, September 01, 2008

MEMÓRIAS DA PEQUENA DESENHISTA _ CAP.1

"Memórias da pequena desenhista" _ pág.1 _ Luísa Artèsa.

** A MENINA E AS AMAPOLAS **

"Deveriam ser já aproximadamente umas 19:00.

Espalhava uma caixa de giz pastel sobre a mesa onde eu e meu pai estávamos sentados.
Lembro bem do cheiro da noite, daquela noite...A iluminação da rua, gente que passava para lá e para cá, atravessando a rua, mudando de calçada...e outras que próximas a nós, aguardavam de pé lugares vagarem para entrarem no restaurante. Ao fundo, o som de um bem tocado bandoneón...lembro bem, muito bem da música: 'Caminito'.

A memória de uma senhora, usando um vestido de tafetá justo e verde escuro, com pérolas no pescoço e nas orelhas, um mui bem penteado cabelo com travessa de tortuga, as unhas carmim e bem esmaltadas, reluziam a difusa luz do ambiente.
Imaginei o que eu estaria vestindo quando chegasse a idade dela, onde estaria e com quem...mas muito engraçada e espevitada, eu dizia à mim mesma nos pensamentos:

_...Só o vestido...A personalidade? _ Eu tenho a minha! (risos!)
Olhei de novo para a mesa, os bastões dispostos sobre a convidativa toalha de papel, sobre a outra de linho creme, a minha pequena bolsa de cetim cor-de-rosa, que sempre carregava uma grande quantidade de giz em tocos e barras inteiras, esperando pela minha inspiração...

Meu pai, muito alinhado, as abotoaduras de ouro com detalhe de ônix, o anel pesado no dedo anular, me fitava com a tradicional expressão dos pais que já sabem o que seus filhos irão fazer. Dava um terno sorriso e tragava seu cigarro, soltando a fumaça para longe de mim, ao ar da fresca Buenos Aires.

Meus olhos sempre inquietos e observadores, pousavam agora sobre um homem na mesa à frente. Aparentava uns cinquenta e poucos anos, cavanhaque grisalho e olhos escuros, muito calado, quase omisso, alheio ao redor, eventualmente fixando o olhar no tampo da mesa, preocupado sabia Deus com o quê.

Esqueci então eu mesma do mundo à volta, concentrei-me naquele cheiro de noite fresca, o bom ar daquela noite iluminada, e comecei a desenhá-las...nos campos, nas floreiras de janelas das casinhas com jardim, caídas pelo chão, e em pouco tempo os desenhos amontoavam-se na mesa, folhas salpicadas de amapolas vermelhinhas e amarelas...

O cheiro do vinho me dava vontade de sorver um só golezinho, mas o medo de perguntar se eu podia era maior...embora eu tenha a certeza de que meu pai encontraria a forma mais coerente de impedir.

Uma enorme taça de sorvete com calda veio ao meu encontro. O garçon a deixa diante de mim, mas não se afasta sem antes elogiar as minhas amapolinhas...

E se vai...o guardanapo de pano sobre o antebraço, o passo ligeiro em direção a outros clientes.

Olho por cima do ombro de meu pai, que saboreia o vinho devagar, e vejo uma silhueta alta, apressada vindo em direção a ele. Pára junto a cadeira onde está meu pai, dá-lhe uma estapeada gentil nas costas, aperta-lhe a mão em cumprimento, ao mesmo tempo em que sorrindo o sorriso mais alvo e franco do mundo, diz:' _ Olá, pintora das amapolas! Quando fores uma moça, e eu um velho já senil, assim tu serás chamada!'

E eu lhe devolvi o sorriso de sempre. O sorriso de quem, apesar da pouca idade, já sabia que são muito poucas as pessoas em quem nós podemos realmente confiar.



Copiar, veicular textos, poesias e outros, sem a devida autorização do autor é crime. Qualquer cópia, parcial ou total, dessas obras, será o autor processado, conforme a LEI DE DIREITO AUTORAL. Caso você tenha visto um texto, poesia semelhante a estes, favor entrar em contato através do meu e-mail: l_artesa@yahoo.com. Nova Lei do Direito Autoral LEI Nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.






Sunday, August 24, 2008

A Amapola me seguiu...




Aos 12 anos, desenhava tudo o que via pela frente, em tudo o que tinha na minha frente...desenhava nos blocos e cadernos próprios para desenho, desenhava em folhas de papel ofício que recebia na escola, desenhava também em papéis de pão, e em guardanapos de papel das churrascarias que frequentava com meu avô, como a saudosa Schiavinni, e nos restaurantes portenhos, onde um dia ouvi Miguel Blanco, trinta e cinco anos mais velho que eu, dizer ao ver várias vezes a mesma flor, refeita em diversas texturas e cores..."quando você crescer, vai ser com certeza uma artista...e pelo visto, será conhecida como a pintora das amapolas..."
Eu desenho e pinto esta flor há anos...já esteve nas mãos de diversas pessoas ao longo destes anos, inúmeros desenhos e pinturas minhas onde elas figuram em todas as suas cores...as vermelhas e amarelas, sempre preferidas...esta semana mesmo um amigo lembrou que ele próprio tem uma cesta de amapolas pintada em aquarela há exatos dezoito anos...

E hoje, passados anos, fui justamente contatada por um grupo de divulgadores procedentes do México, por ter sido mencionada como "a pintora brasileña de las amapolas".
E então eu penso...o que a vida pode ter reservado a mais para mim...
Em outubro, após ter reiniciado a pouco tempo minhas atividades pintando, fui selecionada para fazer parte da Off Bienal de Arte III, a realizar-se de 21 de outubro a 23 de novembro deste ano.
Entre os convidados estarão nomes já consagrados da arte contemporânea. E em dezembro estarei expondo na coletiva 'Talentos da Atualidade', convidada pela ArteAmerica, em evento no Morumbi-SP.





Sunday, July 27, 2008

Poesia na tarde de domingo


"Pássaro na mão"
"Tenho dois pássaros na mão
Mas o que tem meu coração
Está longe nos ares deste mundão
Todavia sempre responde
Quando a saudade vem me apertar
Vinda ligeira não sei donde
Me fazendo triste a chorar!
Tenho dois pássaros na mão
E convicta os solto sem medo
Pra pousar em outro arvoredo
Pois as minhas copas altas
De frutos tenros e perfumados
Não são de quaisquer seres alados
Mas de meu pássaro que longe está
Com ele me vou, daqui pra ali, de lá pra acolá!
Mais vale ele na mão
Que todos que me vêm pousar
Pois não houve pássaro como ele
Que me fizeste assim amar!
Vou vivendo e levando
Na espera sem hesitar
Sei que um dia donde vives
Virá enfim me buscar
E passarei a vida cantando
Ao lado dele a voar!
Tenho dois pássaros na mão
Aos que não quero me entregar...
Prefiro seguir esperando
O meu eleito voltar..."
Luísa Artèsa. (foto _ "Chuva" _ acrilico _ 50X70)


Monday, July 21, 2008

Flores que agradaram












Sempre pintei flores, pois flores não tem erro: até os mais renomados pintores através dos séculos, tiveram fascínio por elas. Flores foram feitas de todas as formas e cores, em todos os estilos de pinturas que conhecemos.


Ultimamente tenho recebido emails de pessoas que verificam meu email e enviam uma mensagem de incentivo e de elogio. Fico feliz que tenham caído no agrado do público que para mim, é o que dá o aval ao artista. Mais do que qualquer profissional da crítica ou curadoria de arte, o público é quem define o que gosta ou não de ver, assim como o que deseja ou não na parede de sua sala. (Graças a Deus! Já pensou se a última palavra fosse, com respeito, destes nestas áreas?? Não teria Van Gogh, Picasso, Modigliani com seus pescoços e anatomia desforme, e tantos, ido em frente...teriam acreditado que sua pintura não era adequada, e que só é artista quem tem currículo!).


Aos que têm se interessado pela minha pintura, dentro e fora do Brasil, deixo meu agradecimento, e aos que entram neste blog que coloquem seus comentários nele mesmo,


Assim como aos emails, responderei tão logo possível.



Minhas flores mais recentes:












Thursday, July 03, 2008

Flores para todos

Elas existem, e existem para todos, sem distinção.

Ajuda Humanitária



Os que me conhecem há muito tempo já sabem, porém os que não conhecem então saberão que dediquei uns bons anos de minha vida envolvida na ajuda humanitária e que estive em alguns lugares dentro e fora do Brasil. Cansada de muitas coisas irremediáveis na minha vida familiar e pessoal, joguei tudo para o alto, saí de minha vida e fui me envolver no triste mundo dos excluídos, que muitas vezes sofrem o pior tipo de miséria: a fome de amor.

Fora, estive envolvida na provisão de comida, remédios e de minha própria força tarefa, cuidando de doentes, orfãos, feridos e desabrigados. De bem cuidada burguesa, passei por situações muito difíceis, aprendendo a tirar recursos do nada, a tirar leite de pedras. Corri risco de vida, dormi em lugares inacreditáveis, e comi as coisas mais rejeitáveis pelo povo das cidades, bem situados, em suas vidas estabelecidamente irretocáveis.

Chorei por gente que nunca havia visto, alimentei filhos que não eram meus, tratei de feridas que fariam muitos estudantes de medicina vomitarem...

Eu fui conhecida como Anita, e eu era uma espécie de "mãe", eu era a personificação da entrega abnegada, do amor desinteressado, da alegria na tristeza, da esperança na carência total de provisões e de sentimentos aconchegantes...fui de lar em lar, levei também as palavras de consolo, de ajuda, de esperança para cada um dos que revoltados com a vida, falavam, gesticulavam, e gritavam diante de mim...

Sós, aflitos, chorosos, injustiçados...crianças leves, às quais eu era capaz de levantar em um só braço, velhos e velhas que há tempos não sabiam o que era ser tratado com carinho...mulheres destruídas por dentro...homens com o espírito irreversívelmente quebrantados pelo fracasso e pela frustração de tentativas insucedidas...

Nem sempre falei de minha vida, mas quem convive comigo não demora muito tempo para notar o meu jeito de ser, de construir meu caminho e de ter um imã, uma atração inegável com todos os que cruzam o meu caminho, levando-os a pelo menos sentir indiscutivelmente uma coisa: que são amados sim. Podem não ser por muitos no mundo...mas são por outros...E também por mim.

A ajuda humanitária ainda existe. E enquanto houverem os menos favorecidos, ela existirá.

Graças à Deus!!
À Zeka, Burkina, Aisha, Kunta. O pouco que para vocês era muito, lhes foi providenciado. Hoje, fazem pelos outros o que lhes foi feito um dia. Angola, terra de gente que sofre, mas que renasce na ajuda ao próximo.




Tuesday, July 01, 2008

Saturday, June 28, 2008

Impressão em violetas




"Não tenho escola, não sigo ninguém
As idéias e os gostos dançam na minha mente num ballet de vai-e-vem.
Passeio em todos os estilos e em todas as cores
Pareço uma abelha beijando todas as flores...
Meu compromisso é comigo mesma."

L.Artèsa.

Ramalhete I


O Ramalhete

"O ramalhete que me ofertastes
Está ainda hoje entre as páginas
De meu preferido livro de artes
O ramalhete que me destes
E que com belas palavras
Enviates
Conserva ainda o perfume
E da coroa o volume
O ramalhete que guardo
Com zelo e lembrança
É prova de que um dia
No amor depositei esperança!"

"Ramalhete de violeta" 40x50 acrilico _ 2008.

SABENDO COM LUÍSA

EXEMPLO A SEGUIR:

PORTO ALEGRE NA DEFESA DOS ANIMAIS





Parabéns a Porto Alegre, que esta semana aprovou uma lei que impede animais de puxar transportes e cargas, como carroças, e outros. No atual mundo dos recursos tecnólogicos, realmente, dar contínuoa esta prática era incabível. Que outras possam seguir este exemplo, uma lição de amor aos animais e uma atitude humanitária louvável.


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BRASIL X JAPÃO



A cidade de São Paulo iniciou uma série de homenagens ao povo japonês pelo seus 100 no Brasil.

São espetáculos musicais, teatrais, documentários e outras fontes, para mostrar a cultura japonesa. Há espetáculos gratuitos, inclusive no saguão do aeroporto de Congonhas.

O bairro da Liberdade permanece em festividades.

O Instituto Tomie Othake oferece também várias opções na divulgação da ocasião celebrativa.

Abaixo uma foto do bairro da Liberdade _ SP.


INDICAÇÕES

****O que aproveito e recomendo!****




Na Av. Paulista, 1.578 / São Paulo

Às quinta-feiras, das 11h às 20hterça, quarta, sexta, sábado, domingos e feriados, das 11h às 18h.

A bilheteria do MASP fecha com uma hora de antecedência.

Os ingressos são de R$ 15 (inteira) e R$ 7 (estudante).

Na terça-feira, pessoal, é grátis!!

Há um aviso: Que para menores de 10 e maiores de 60 anos, a bilheteria fechará uma hora antes do fechamento do museu.



Telefone de contato: 3251-5644

É sempre um ótimo passeio!

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"Dê-me uma alegria, e contigo jubilarei, dá-me uma tristeza, e eu a transformarei."

L.Artèsa.





Sempre se tira lições de tudo o que nos acontece. Seja o que nos agrada ou não. E se não entendemos na ocasião o porquê, pode crer que entenderás mais à frente.

Portanto, preste sempre a atenção à tudo que lhe acontece. Relaxe, e procure entender e aproveitar a experiência como algo que lhe tornará mais forte e mais sábio (a).

Sunday, June 15, 2008

Voar




"Voar...Voar é uma experiência incrível...imagino, se dentro de um avião, tive diversas vezes em minha vida a maravilhosa sensação de estar passando entre as nuvens e sobrevoando-as, imagine se pudesse sentir o vento e toda a textura dos céus...

Pintar é...
Como ver num dia de sol uma ave em alto vôo no azul cerúleo do céu!Como ver rosas carmim alizarin num jardim verde vessie e verde ingles numero trêsComo ver um oceano azul ultramar respingando ao bater nas pedras numa enseada iluminada!Como sentir o cheiro da terra de siena úmida numa manhã bem cedinho!Como uma densa e brilhante nuvem branca de titânio num céu de verão!"